Os números do mês de abril, publicados pela Anbima na semana passada, confirmaram o que mesas de distribuição já vinham sentindo desde fevereiro: a renda fixa atrelada à inflação voltou a ser o produto mais procurado pelo investidor pessoa física no varejo de alta renda.

A captação líquida em CDBs IPCA+ avançou 22% no trimestre. LCIs e LCAs, que voltaram a ter prazos mais longos depois da nova rodada regulatória do Banco Central, somaram outros R$ 14 bilhões. No mesmo período, fundos multimercado registraram a quarta saída líquida consecutiva.

Por que o movimento agora

O gatilho é simples. Com a NTN-B 2035 oferecendo 6,8% acima da inflação, e bancos médios chegando a 7,4% em emissões privadas de prazo equivalente, o mercado encontrou um patamar de prêmio real que só foi visto em momentos pontuais nos últimos cinco anos.

Para quem ainda tem dúvida sobre o tamanho do movimento: três das cinco maiores plataformas de investimento abriram emissões privadas de R$ 500 milhões esgotadas em 48 horas no primeiro fim de semana de maio.

Quem está olhando IPCA+ acima de 7% como ponto de entrada não está exagerando. O que ainda é dúvida é o prazo certo da aposta.
Bruno Sabadini, head de renda fixa da Manati Investimentos

O que olhar antes de comprar

A primeira pergunta que o investidor precisa fazer não é sobre o nível atual da taxa, mas sobre o seu prazo de tolerância. Títulos de inflação longa carregam volatilidade marcada quando o mercado revê expectativas de juros — exatamente o cenário que pode se desenhar nos próximos seis meses se o Copom acelerar cortes.

A segunda é sobre liquidez. CDBs e LCIs costumam ter carência. Para quem não tem certeza absoluta sobre o uso do recurso, NTN-Bs negociadas no Tesouro Direto seguem sendo a opção mais flexível, mesmo que com prêmio bruto um pouco menor.

A terceira, e talvez a mais importante: peso na carteira. Concentração acima de 35% do patrimônio em inflação longa só faz sentido para investidores com horizonte mínimo de cinco anos e estômago para marcação a mercado.